23 de jan de 2015

Ultraviolence - 1º Capítulo




– Você é um estúpido. Olha só o que fez? É pouco menos que um inútil. –Rosnou ele ríspido quase jogando sua xícara em minha direção de nervosismo, agachei-me até sua perna.
– Me desculpe senhor, me deixe te ajudar, me desculpe. –Fechei os olhos na tola esperança de quando abri-los não estar diante daquele rapaz arrogante, minhas pálpebras constantemente costumavam pesar como chumbo a dias, pois eu não dormia. Tinha o trabalho na cafeteria, tinha a faculdade, e tinham os exames. E desde que comecei a trabalhar nessa cafeteria de esnobes é um milagre eu não ser agredido por um deles.
O rapaz costumava sempre aparecer, sentava a mesa sozinho e lia sempre o mesmo livro, nunca o vi acompanhado nem ao menos o som de sua voz, pois todos sabiam o que ele pediria, mas hoje, hoje além de ouvir sua voz, senti seu perfume caríssimo que eu diria ter sido produzido apenas para ele, e além de tudo olhei em seus olhos.
Nunca tive um contato visual com tal rapaz, quando eu deixava seu café ele estava sempre muito concentrado na leitura, fazia pouco caso em olhar o resto da humanidade, era como se eu nunca tivesse existido... Até aquele desastroso momento.
– Não toque em mim, agora você já fez a merda... –Ele desdenhou empurrando-me, engoli em seco me levantando do chão.
– Por favor. –sussurrei- me desculpe, eu preciso muito desse emprego. 
– E de que isso me importa? Sabe quanto custou esse terno? 
– Eu não tive a intenção de lhe manchar a roupa senhor. –Tomei a coragem de levantar a cabeça para olhar em seus olhos explodindo-se de raiva, eu estava na rua. Sem emprego e sem dinheiro para pagar o aluguel assim que Carson chegasse ao nosso alcance.- Me desculpe senhor, eu faço o que quiser, lavo seu terno inteiro se quiser, mas por favor não façam com que me despeçam. 
Por um tempo ele simplesmente olhou-me, como se estivesse analisando a minha situação com desdém, eu realmente cheguei ao fundo do poço, implorando a um bilionário meu rebaixado emprego de servir café. Tive uma vontade extrema em abaixar a cabeça enquanto o mesmo analisa-me de forma vergonhosa, não consegui aguentar aquele olhar, sua postura, tudo nele me intimidava e meu emprego estava em suas mãos. 
– Senhor. –Ouvi a voz exasperada de Carson, ainda de cabeça baixa fechei os olhos com força- Ouvi-o gritar, há algo errado? 
– Não. –seu tom era baixo, levantei minha cabeça para olha-lo, e ele continuava e manter seu olhar analisador em minha direção, e eu poderia esperar exatamente tudo daquele rapaz com aquele olhar superior e intimidador.

Continua...

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