23 de jan de 2015

Ultraviolence - 2º Capítulo

– Não. –seu tom era baixo, levantei minha cabeça para olha-lo, e ele continuava e manter seu olhar analisador em minha direção. – Foi apenas um mal entendido.

– E o que aconteceu com seu terno senhor?
– Não é da sua conta, eu já disse... Foi um mal entendido. –Ele grunhiu, eu me segurei para não deixar meu queixo cair, seu olhar predominava-se fixo a mim, e agora Carson também o fazia.
– Trarei outra xícara de café. –Sussurrei quase sem voz sentindo-me no dever de dizer algo.
– Não será preciso. –Ele recolheu seu livro em cima da mesa e simplesmente deu-me as costas, suspirei de alivio ao vê-lo desfilar elegantemente naquele terraço para o mais longe de mim, e meu emprego, estava naquele momento aparentemente salvo.
– O que você fez garoto? –Rosnou Carson, eu engoli em seco.
–Nada, não foi nada de mais Carson, me desculpe. –Recolhi a xícara e saí daquele lugar.

Dia seguinte – 13:23 p.m – Paris


Precisava parar de conversar com ela e me concentrar nos estudos. E o que atrapalhava mesmo meus estudos era o que aconteceria hoje, às quatro da tarde, não tinha a mínima ideia sobre o que aquele homem sendo a arrogância em pessoa faria, não sabia se ele iria, se ele pediria para outra pessoa atendê-lo ou se ele traria seu terno especialmente para que eu lavasse-o a sua frente, me parece que humilhar as pessoas é algo que o satisfaz, ou eu apenas resolvi ser atrapalhado em um momento ruim de seu dia.

– MERDA. –Ouvi o grito agudo de Niall.
– O que é Niall? –A olhei, sua face avermelhada seu cabelo desgrenhado e seu olhar furioso não me assustavam, ele sempre acordava daquela forma.
– Que porra aconteceu com a luz? - Perguntou
– Não sei, tinha luz hoje cedo quando fui pra faculdade, deu até pra eu tomar banho quente.
– Tinha, do verbo passado. –Ele gritou-
– Acha que cortaram? –Indaguei
– Eles tinham que nos dar um prazo de três dias. –Ele caminhou pela sala, suspirei.-
– Eu vou tentar arranjar outro emprego. –comentei me levantando, recolhi todos os meus livros e enfie-os dentro da bolsa, Niall estudava e trabalhava muito, trabalhava de madrugada sendo garçom em um bar, voltava sempre as seis da manhã, ás duas da tarde ele trabalhava meio período em um restaurante servindo mesas, e o tempo que lhe restava para estudar eram pouquíssimos, sua faculdade era a noite. Mesmo que nossas vidas estejam sendo tão corridas e mal organizadas, sabemos que é melhor do que viver no interior da Inglaterra. Nada na vida vem com facilidades, e eu e Niall sabemos disso. Guardo meus livros e olho no relógio do Elvis pendido a parede da cozinha. Respiro fundo, estava na hora de voltar ao trabalho, voltar a correria da vida e a humilhação do cotidiano.
– Eu pago a conta quando sair do restaurante. –Disse ele de repente, o olhei por cima do ombro.
– Ok. Tenho que ir
– Tudo bem, vou ver se tiro um tempo pra dar uma olhada nos livros também, estou uma merda em sociologia.
Peguei minha mochila marrom que na verdade um dia foi marrom, hoje é apenas uma cor gasta que mal sei se é realmente uma cor. Peguei a chave do cadeado de Shelby, minha bicicleta e sai do apartamento. As vezes prefiro passar meia hora pedalando do que dez minutos entalado como uma sardinha dentro de um metro, com aquelas pessoas suadas encobrindo o cheiro do trabalho com perfumes exagerados. Ao ver a porta do elevador se fechando apertei os passos em uma breve corrida e fui salvo por Zayn, do décimo segundo andar. Zayn é um muçulmano gentil, fala pausado, quase cantando, parece não morar aqui a muito tempo, nossos encontros paralelos são sempre em frente ao prédio, ou no elevador, onde ele sempre me salva de não perdê-lo. Zayn é até bem afeiçoado, tem braços largos, olhos claros e cabelos escuros. Zayn parece sempre distante, acho que mora sozinho, como mora exatamente em cima do meu apartamento sempre da para ouvir seus paços pesados, e sei que são apenas dele, mas é difícil de dizer quando ele coloca Vivaldi para tocar vez outra de modo quase ensurdecedor. Para o resto dos moradores pode até incomodar, mas não a mim, por mim ele poderia por todos os dias o CD de As quatro estações que eu não me importaria, Vivaldi sempre me acalmava, e mamãe dizia que era até estranho pois quando eu tinha meses de vida, só dormia com Summer.
– Esta fazendo muito frio hoje, não? –Zayn perguntou de repente
– Sim, acha que o inverno já esta pra chegar? –O olhei. Ele sorri, de uma maneira suave e ao mesmo tempo densa.
– Não sei. –Ele diz- Faz tempo que não o vejo, Tomlinson. Pensei até que havia voltado pra Inglaterra.
– Estou indo no horário certo agora. –Sorri sem humor.
–  Entendo. Pensei que nunca mais iria te salvar de perder o elevador –Ele vira-se para frente quando as portas do elevador se abrem, e assim saímos do elevador seguindo até a saída. 
– Espero que se atrase mais vezes. –Não sabia o que dizer, era estranho, era constrangedor, as palavras fugiram da minha boca, tomaram um rumo para longe de mim, de forma que eu nunca mais pudesse tê-las outra vez. Ele tomou seu rumo a esquerda, e eu caminhei a direita ao encontro de Shelby, em um suspiro já esperando o quão difícil seria meu dia, eu tirei o cadeado de Shelby, minha bicicleta azul, era meu xodó, amava aquela bicicleta, e eu agradecia a deus andar de bicicleta ser algo comum em Paris. Coloquei o cadeado e a chave dentro da minha mochila, e subi na bicicleta. Andei pelas ruas da bela Paris desfrutando daquela paisagem, sendo aquele, o único momento que eu sentia que valia a pena estar ali, as folhas secas de meio de outono ainda caiam pela calçada inundando-a e deixando aquela cidade cada vez mais bonita e atrativa. Não importava a quanto tempo eu estava ali, eu sempre acharia aquela cidade perfeita e sempre me admiraria com tamanha beleza. Distraído com a beleza das folhas mal percebi quando atravessava uma rua pouco trafegada, eu não sabia se estava na faixa, mas isso não impediu o motorista de reduzir a velocidade apenas buzinou furiosamente nem me dando chances de desviar, o impacto não fora lá um dos piores, tudo que ouvi sair de minha boca fora o grito instantâneo de desespero e medo, meus joelhos ralaram no chão e senti-me estremecer com a pancada na cabeça, no chão não fiquei mais alguns segundos, o que me preocupava era Shelby que quando abri os olhos, vi mesmo com a vista embaçada que ela estava com a frente totalmente quebrada, quase formando um oito com o pneu e o guidão.
– Merda. –Sussurrei pondo a mão na testa, minha visão ainda estava turva, tudo balançava como se eu tivesse tomado um ácido daqueles. – Droga
– Garoto? Você esta bem? –Um homem de terno preto aparentemente motorista daquele carro que não consegui identificar qual era esta de pé, com as mãos no quadril como se fosse uma mãe dando uma bronca. Tonto me sento no chão, sentindo a ardência em meus joelhos. dia ruim para trabalhar de bermuda, pensei.
– Desculpe. –Sussurro e tento me levantar, mas a tentativa é em vão.
– Hey, você esta bem? –Perguntou outra vez
– Minha bicicleta. –Gaguejei
– Me desculpe. –Ele se abaixou em minha direção- Ela parece não ter concerto.
– O que? –Consigo então voltar a ver normalmente, olho na direção de Shelby e só não vou ao seu alcanço porque meu corpo esta dolorido de mais. A porta do carro se abre, um andar digno de alguém da realeza vem em nossa direção. Logo após o barulho da porta sendo fechada
– O que esta acontecendo Dominik? Por que da demora? –A voz pergunta, e eu sinto já ter ouvido aquela voz graciosa e ríspida em algum lugar, levanto minha cabeça para olhar... 

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